Mónica Amaral Ferreira, presidente do Centro Europeu de Riscos Urbanos, fala ao podcast “O Futuro do Futuro”, do Expresso, sobre prevenção e gestão do risco. Quando questionada sobre exemplos de práticas que desafiam a prevenção necessária para enfrentar fenómenos extremos, dá conta da construção desordenada que se pratica em Portugal.
“Devemos evitar construir em zonas de arribas, em zonas de risco sísmico, de deslizamento de terras ou em leito de cheia”, explica. A especialista, também investigadora no Instituto Superior Técnico, indica que equipamentos essenciais em caso de catástrofe estão, eles próprios, em situação de vulnerabilidade: “Temos hospitais em leitos de cheia, temos hospitais em locais de inundação em caso de tsunami, temos escolas, temos creches, temos uma série de equipamentos que têm que dar a resposta e que estão à mercê destas situações”.
“Tudo se permite e se consegue fazer no ordenamento, mas a consequência disso é que fica tudo desordenado e isso põe em risco as populações”, desenvolve. Sobre a falta de cultura de prevenção e educação para o risco sublinha ainda indica que as pessoas evitam lidar com estas situações: “Não queremos receber más notícias”. E dá um exemplo prático: “uma pessoa diz que isto é uma zona de risco sísmico, ou de zona de tsunami, ou que há a probabilidade de haver um deslizamento de terra, e a outra pessoa responde que ‘isso vai ser só um dia’”.
Um dia que pode estar cada vez mais perto de chegar, como os fenómenos extremos recentes têm demonstrado: “estes eventos acontecem com cada vez com mais frequência mas as pessoas não estão preparadas porque a própria organização em si não prepara a população”, aponta.
O que pode ser feito? E o que é que o poder político tem deixado por fazer para resolver a falta de prevenção, alerta e planeamento na resposta a catástrofes? Ouça todas as respostas n’”O Futuro do Futuro”, disponível nos sites do Expresso, da SIC e da SIC Notícias e nas principais plataformas de podcasts.


